sábado, 12 de maio de 2012

O nome do sujeito: Bernardo Sassetti

Anos atrás eu iniciava as gravações de uma curta-metragem que até hoje se mantém inacabada, perante dificuldades que se avizinharam: Calendário, meios, orçamento, etc.... Nessa altura conheci um rapaz que até hoje se mantém um dos meus grandes amigos: o realizador e argumentista da dita. Era um dramalhão de curta-metragem. Interessante até por ser um registo que nunca experimentei muito. Vai daí, que para inspiração, fui apresentado por esse realizador a um filme de nome "Alice". Um filme português. Que perante a minha faixa etária e a ideia geral desde cinema, se avizinhava uma dolorosa hora e meia.

MAS, dei com um filme de topo. Dos melhores que vi até hoje. Um autêntico drama. Com grandes actores, uma grande história e... Uma banda sonora que cheirava a coisa estrangeira de tão boa que era. (Porque o comum português, como eu, está formatado para pensar que cá existem coisas boas, mas as melhores são sempre estrangeiras.) Reparei na capa e fixei o nome do sujeito: Bernardo Sassetti.

Pois bem, era português. "Pois chupa lá." - Pensei para mim.

Fiquei realmente apaixonado por aquela melodia. Que são daquelas sempre iguais, mas que de tão geniais que são, ouvimos vezes sem conta mergulhados em alguma coisa.
A partir desse momento segui levemente, sem aprofundar, os trabalhos desse mesmo sujeito. Segui-o pelo "Talentoso Mr. Ripley", pelo trabalho com Carlos do Carmo, pelos projectos com o Mário Laginha, etc. Nunca fui a nenhum concerto nem fui um fã que comprasse camisolas e cuecas com o logótipo do Bernardo Sassetti ao piano é verdade. Mas também é verdade que o fui seguindo nessa sua genialidade - de tal maneira grande que por um tema era perceptível - por notícias e por trechos aqui e ali.

Ontem sentei-me ao computador antes de jantar e sair para a estreia da minha peça, e percebi que esse sujeito havia morrido. 41 anos, duas filhas, um casamento com uma das grandes actrizes portuguesas, pessoas que parecem das mais equilibradas nos dias que correm, das mais correctas. E valente "merda para isto que este sujeito tinha tanto para dar!"

Os meus pêsames à família de um grande músico. E dizem, quem o conheceu: um grande homem também.


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