Qualquer comediante tem de saber que pode acontecer muita coisa durante um espectáculo. Um espectáculo, ainda para mais de Stand-up Comedy, funciona (provavelmente) sempre como um momento de catarse. Do Comediante. Do público.
Mas se há coisa que nunca me haviam dito era para estar preparado para o que pode acontecer antes de um espectáculo.
É aqui que entra esta minha história real: Era Novembro e chovia (como dizem os franceses) que nem uma vaca a mijar. Eram cerca das 18:30 e tinha espectáculo do 2 Dedos de Comédia às 21:45. Auto-estrada e filas intermináveis. O conhecido "pára-arranca". E foi num destes "pára-arranca" que um indiano cheio de fúria e com pouca aderência nos pés e na cabeça que o fizesse carregar num pedal que se chama "TRAVÃO" me escavacou a traseira toda do carro.
E fiquei à chuva a preencher papéis, com um estrangeiro que sabia tanto de português como de travões. Acabou por me deixar entrar para dentro do veículo dele onde "gramei" com o cheiro da fruta e das couves que trazia na sua carrinha. Até que o reboque chegou, me levou a casa, onde vesti uma camisa e onde o meu colega Eduardo Ramos me apanhou já perto das 22 horas com o espectáculo a decorrer. O Marco Rebelo era o primeiro, seguia-se o Eduardo que me foi buscar a tempo de fazer a parte dele e tudo por causa de um indiano que resolveu ir buscar a fruta para o seu negócio, deixando os travões em casa!
Lixado com o outro condutor, com uma carga de água em cima que me deixou de cama nos dias seguintes, com os nervos em franja por ter ficado com o carro tão partido ao ponto de me mudarem todo o porta-bagagens e esticarem o carro por ter entortado: o Fábio foi para o palco.
E começou com um: "Filha da put* do indiano!"
Os presentes podem corroborar esta mesma história e confirmar que estive grande parte do meu tempo de palco a irritar-me com alguém que não sabe onde deixou os travões.
O melhor de tudo? O condutor em causa mora na mesma rua que eu.
O mundo é pequeno e os travões também!
Sem comentários:
Enviar um comentário